Não tenho por onde mais cair.
Segunda-feira, Outubro 12
Quarta-feira, Agosto 26
- Define-me sorriso.
- É um reflexo poderoso, completo. Uma explosão de palavras gestualizadas, conceitos, um vitória, uma desforra inevitável, compreendida por quem a vê. Uma enchente de saberes. Uma emoção majestosa desfolhada dente a dente. Lábios manifestantes, asas coladas, cumprimento contagioso.
- Continua.
- Modo de simpatia, impulso. Desafio incontornável, máscara graciosa, desfile de sinais e sons e alívio. Tema de grande ocupação, concentração. Olhos arregalados. Insegurança agradável que torna o carinho possível.
Tiro partido da situação, e sorrio.
Quinta-feira, Julho 9
Sexta-feira, Junho 19
Livro os Maias, texto de Sara Martins.
Tenho o tempo entalado na garganta.
Beija-me, dar-te-ei meus secretos minutos.
Domingo, Maio 24
Terça-feira, Março 24
( O meu limite de palavras, talvez o sinta. )
Do livro ''Perfume, História de um assassino'':
Grenouille possuía, na verdade, o melhor nariz do mundo, tanto a nível de análise como de perspectiva criadora, mas ainda não possuía a capacidade de se apoderar concretamente dos odores.
(...)
E condescendia em abençoar, por várias vezes, a sua criação, o que esta agradecia mediante hinos de alegria e júbilo e inundando-o de novo com ondas de perfumes magníficos. Entretanto, caíra a noite, os perfumes misturavam-se ao longe com o azul da noite, em combinações sempre mais maravilhosas. Isto provocaria uma verdadeira noite de baile para todos estes perfumes, acompanhada de um gigantesco fogo-de-artício de perfumes seleccionados.
Segunda-feira, Fevereiro 16
Segunda-feira, Fevereiro 2
- (gritando) Cúmplice! Foste cúmplice de tal desgraça e ainda vindes rir-te de mim. Eu, que me dediquei a ti, meu amo, dias a fio. Cumprimentei-te com os melhores beijos, realizei os mais frívolos caprichos, desejei-te os maiores louvores, e tu!...mal agradecido, rei de meu rei, devias-te teu olhar para mares agitados. Impuros! Para mares bastante navegados! Que a perdição desfez-vos, a vós e a mais uns poucos. (mais calma) Deixei os ventos orientar-te e as bandeiras logo se ergueram. (chorando) Caí na infelicidade eterna de sabê-lo, que minha inocência foi teu mais precioso bergantin. (limpando as lágrimas) A carência te fez vítima mas apunhalou-me, (furiosa grita) a mim, a espada! Nem meus rochedos houveram te parado. Nem meus rochedos houveram te parado.
Terça-feira, Dezembro 16
Quarta-feira, Dezembro 10
( Fotografia tirada por Ana Mendes, Editada por Sara Martins )
Explosão de contradições se debatem à roda, contando histórias passadas e atirando as cartas à mesa. Geram-se remoinhos repletos de emoções, remetendo cada vez mais fundo a culpa e a inspiração vai-me faltando.
Grita por mim que gritarei por ti. Peço-te, grita.
O tempo rebenta. Enfim, o vento leva a minha pétala vermelha.
Domingo, Dezembro 7
Quinta-feira, Dezembro 4
Domingo, Novembro 30
Quarta-feira, Novembro 26
( Imagem de Leandro Machado )Adio todos os meus compromissos, de forma a ter tempo para me concentrar no importante: venerar o que me é apresentado e criar laços com o papel em branco. Para tal, coloco todos os meus sentidos em cima da mesa, desde o tacto à audição, o jogo começa. O reconhecimento espera-me.
Que se reunam todos os amantes, pois somos a metade vísivel de um mundo abstracto.
Terça-feira, Novembro 25
-São magros, com mãos pequenas, cascos diferentes e narizes do tamanho de castanhas.
Costumam vir ao nosso encontro e massajam-nos o pêlo. A minha companheira acha que é um cumprimento, por isso, e confiando na sua sabedoria, quando se chegam ao pé de mim olho-os fixamente e procuro consentimento por partes deles para poder avançar e encostar a minha cabeça nos seus braços compridos.
Por segundos vejo as suas bocas a mexer, mas nunca entendi porquê, e a minha companheira já está cansada demais para me explicar.
Talvez amanhã saberei porquê. Amanhã.
Domingo, Novembro 23
Sexta-feira, Novembro 21
Domingo, Novembro 16
Domingo, Novembro 9
Sábado, Novembro 8

( Esta imagem é de Ana Mendes, o texto é de Sara Martins )
Com a minha visão sob a superfície, até eu sentir o cheiro húmido, queimaram-se as crenças de que não existia perfeição.
Eram simples panos estendidos, que ousavam cobrir chão tão leve como aquele, e pior que isso, era o efeito que provocavam nos olhos de quem lá passava. Não resistiam a tal beleza, focavam-se, engoliam toda aquela pureza e despejavam jactos de dor para fora.
Toda aquela sedução fazia o cérebro pensar, e pensar. O coração, pobre, invejava cada elogio.
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